Receitas de família

 
 

Moqueca light com azeite extra virgem

As melhores moquecas que já provei até hoje são feitas no Estado do ES, na Rota do Sol, que inclui inúmeras praias capixabas (o resto é peixada!). A do Cantinho do Curuca em Meaípe dispensa apresentações. Destaco a de peixe com camarão e a de banana da terra (deliciosa!) que acompanha a de peixe. Recomendo também o ótimo restaurante Panela Capixaba, que fica na Praia do Canto, em Vitória, no especial Hortomercado (um lugar pra demorar e curtir os bons botecos e mercadinhos). Inspirada pelas bandas capixabas passo, a seguir, uma receita de moqueca light, com alguns diferenciais em relação à tradicional. A receita só leva azeite extra virgem (não leva óleo) e também não leva colorau.

MOQUECA LIGHT ESPERTA (para duas pessoas)

Ingredientes

600g de peixe (postas de robalo ou cação – indico a Peixaria Guará, na Feira do Guará)

100g de cebola cortadas rusticamente em pétalas grandes

100g de tomate cortados em cubos grandes

2 colheres (sopa) suco de limão

1 lata de tomati pelati

Cebolinha, salsa e coentro (quem não curte coentro elimine!)

Azeite extra virgem a gosto

1 litro de leite (para um segredinho especial)

Sal a gosto

Modo de preparo

Um segredinho de família: deixe as postas de peixe (depois de lavadas com água e limão) descansando por 20 minutos de molho no leite. Depois lave em água corrente, escorra bem as postas e seque-as com papel toalha. Feito isso, ponha a panela de barro para aquecer com azeite e vá colocando em camadas algumas cebolas e tomates, em seguida uma camada de postas (regue com azeite a gosto e uma concha de molho de tomate dos tomates pelattis batidos no liquidificador que vão substituir o tradicional colorau). Montadas todas as camadas, adicione o sal a gosto, regue com mais azeite e deixe cozinhar. Não deixe o peixe passar do ponto para que as postas não se desmanchem. Veja se o molho de tomate foi suficiente para cobrir até o final, já que não se utiliza água nesta receita e o molho de tomate e que formará o caldo. Quando o peixe estiver no ponto, insira o cheiro verde com coentro (ou não) e tampe a panela e leve à mesa. Sirva com arroz bem branquinho, pirão ou um creme de arroz. Esse creme de arroz é outra tradição lá de casa e pode ser comprado no supermercado (o da Yoki é muito bom!). Sugiro um vinho rosé bem levinho, como o Aquitânia Rosé (Cabernet Sauvignon), super delicado e aromático. Outro bem especial é o uruguaio Alto de La Ballena Rosé (Cabernet Franc). Bom apetite!

COZIDÃO PORTUGUÊS

O melhor cozidão português de que tenho notícia era o da minha saudosa avó Dona Lucina (Siduca para os íntimos). Perfeito, sem gordura, com um aroma e sabor incomparáveis! Assim como a também inequecível caldeirada do meu avô, seu Paraguassú (um cozinheiro como poucos!). Pois aí vai a receita do cozidão que rememora incríveis momentos familiares no melhor lugar da casa: a cozinha! E na próxima semana, vocês poderão copiar uma das melhores receitas de família que trago comigo: Bacalhau a Niterói. Essa é de outra cozinheira famosa da família: Tia Terry.

COZIDÃO PORTUGUÊS À MODA DA SIDUQUINHA

 

 

 

 

 

 

Ingredientes
CARNES

Costela de boi magra (quantidade para 6 pessoas)
2 pedaços de bacon (pedaços vigorosos)
4 linguiças de paio e 4 linguiças calabresa

VEGETAIS E LEGUMINOSAS
1 repolho grande cortado pedaços rústicos
2 maços de couve (enrole-as em macinhos menores com duas folhas cada)
4 batatas doces (inteiras)
8 batatas inteiras (tamanho médio)
4 pedaços de mandioca
10 quiabos lavados
4 bananas-da-terra
4 cebolas grandes partidas ao meio
8 cenouras em pedaços grandes
6 espigas de milho partidas ao meio
5 ovos cozidos

MODO DE PREPARO – Numa panela grande e bem quente vá dourando a carne no azeite extra-virgem até que ela desprenda sua gordura. Tenha já os vegetais lavados e cortados em cubos de tamanhos medianos para grande (com cortes rústicos). Lave o quiabo com limão para tirar a baba, as folhas de couve devem ser  enroladas como charutos (de duas em duas. Se preciso amarre com barbante). Quando as carnes estiverem bem douradas, junte-as e acrescente um litro de água. Tampe a panela e deixe a carne cozinhar bem. Isso levará entre 40 minutos e uma hora. O gostoso é a carne ficar desmanchando. Para não perder o caldo, que deve ser temperado com uma mistura básica de alho com sal, se necessário, acrescente mais um pouco de água, mas tome cuidado para não aguar demais e perder justamente o caldo da carne (que confere o sabor ao cozido). Quando a carne estiver bem macia junte os vegetais mais duros, como aipim, as batatas, o milho e a cenoura, após uns 15 minutos de tampa fechada, pode juntar os demais, deixando só a banana, a couve, o repolho e o quiabo por último. Jogue uma pitada vigorosa de cebolinha e salsinha (picadas) ao final e abafe a panela por um minuto. Outra dica: Se quiser “enfrescurar” o cozido, acrescente grão de bico (fica bom!). TOQUE ESPECIAL: No final, retire um pouco do caldo para fazer um belo pirão. Numa panela menor misture o caldo com farinha de mandioca (da boa! Você acha na Feira do Guará). Sirva com um arroz bem branquinho e soltinho (sem ser o chatíssimo parbolizado, por favor!) e pimenta à gosto. Sugiro as pimentas da região Norte: Cumari do Pará ou a Murupi. Se não for adepto da ardência (risos) parta para uma bela pimenta de cheiro (ela por si só já garante um sabor pra lá de diferenciado e não arde!).

Uma resposta to “Receitas de família”

  1. vanessa maio 27, 2010 às 2:44 pm #

    amei, amei, amei….senti o cheirinho da vovo, da comida, de tudo….saudades e muita nostalgia. Beijokas e o blog ta lindo.

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